A Rocket Lab entregou um de seus trimestres mais fortes da história, e ainda assim o mercado encontrou motivos para vender a ação. A receita do segundo trimestre atingiu US$ 234,1 milhões, um crescimento de 62% em relação ao ano anterior e acima dos cerca de US$ 231,6 milhões esperados por Wall Street. Mesmo assim, as ações chegaram a cair 7% no pregão after-hours antes de reduzir parte dessa queda, um lembrete de que os investidores de crescimento no setor espacial estão sendo convidados a olhar bem além do resultado de manchete.

O prejuízo líquido da empresa ficou em US$ 49,3 milhões, ou 8 centavos por ação, uma melhora em relação ao prejuízo de US$ 66,4 milhões registrado um ano antes, mas ainda maior do que o prejuízo de cerca de 3 centavos por ação esperado pelos analistas. Parte dessa diferença vem de aproximadamente US$ 8,6 milhões em custos de transação relacionados a fusões e aquisições, ligados aos negócios com a Mynaric e a Motiv e à aquisição pendente da Iridium, e não a uma deterioração do negócio principal de lançamentos e sistemas espaciais. A margem bruta do trimestre chegou a 41,5%, confortavelmente acima dos 38% projetados pelos analistas, mostrando que a empresa está retendo mais de cada dólar em vendas, mesmo com os pesados investimentos mantendo o negócio como um todo deficitário.

O detalhamento por segmento contou uma história igualmente forte. A receita de produtos, que abrange a fabricação de satélites e componentes, praticamente dobrou para US$ 181,3 milhões, enquanto a receita de lançamentos e outros serviços chegou a US$ 52,7 milhões. A carteira de pedidos (backlog), que representa trabalhos contratados ainda a serem entregues, saltou 137% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de US$ 2,36 bilhões, superando as expectativas de cerca de US$ 2,29 bilhões. Esse crescimento da carteira de pedidos importa porque oferece aos investidores uma leitura prospectiva da demanda que um único trimestre de receita não consegue capturar sozinho.

Foi na projeção (guidance) que a atenção do mercado se voltou. A Rocket Lab indicou receita entre US$ 250 milhões e US$ 265 milhões para o terceiro trimestre, acima da previsão de US$ 238,5 milhões de Wall Street, o que isoladamente parece uma clara superação de expectativas com elevação de guidance. A complicação está na rentabilidade. A projeção de margem bruta do terceiro trimestre veio entre 29% e 31% em base GAAP, bem abaixo do consenso de cerca de 37,6%, com a margem bruta não-GAAP projetada entre 35% e 37%. As perdas projetadas de EBITDA ajustado, entre US$ 17 milhões e US$ 23 milhões, também vieram maiores do que o esperado. Em resumo, a receita está acelerando mais rápido do que o resultado final, um padrão que costuma deixar os investidores de crescimento nervosos mesmo quando a receita supera as estimativas.

O outro fator determinante é o Neutron, o foguete reutilizável de carga média da Rocket Lab, projetado para desafiar o Falcon 9 da SpaceX. A diretoria mudou o discurso neste trimestre, saindo da promessa de um primeiro voo dentro do quarto trimestre de 2026 para a meta de apenas levar o foguete até a plataforma de lançamento nessa mesma janela. Nenhuma nova data de lançamento foi oferecida, e a empresa reconheceu que as chances de um voo inaugural ainda neste ano estão diminuindo. Alguns analistas já enxergam uma chance real de a estreia escorregar para 2027. O Neutron carrega uma importância desproporcional para a tese de investimento, pois permitiria à Rocket Lab competir por cargas úteis maiores e missões de segurança nacional, além de eventualmente lançar suas próprias constelações de satélites em vez de pagar a um concorrente pela carona.

A Rocket Lab também trabalha para fechar sua aquisição de aproximadamente US$ 8 bilhões da Iridium, um negócio que adicionaria satélites, espectro e receita recorrente de comunicações a um negócio que, até agora, foi construído principalmente em torno de serviços de lançamento e componentes espaciais. A lógica de diversificar para além de um único programa de foguete reutilizável faz sentido, mas um negócio desse porte também eleva a régua de execução exatamente no momento em que a empresa tenta provar que o Neutron consegue voar.

Nada disso muda o fato de que o negócio principal da Rocket Lab está crescendo rapidamente. Receita recorde, carteira de pedidos recorde e expansão de margem nas linhas de produtos existentes apontam para uma empresa que está ganhando participação em uma economia espacial em expansão. A tensão para os traders é que o mercado está precificando a Rocket Lab tanto pelo cronograma do Neutron e pela rentabilidade futura quanto pelos resultados atuais, o que significa que superações de receita nas manchetes ainda podem ser ofuscadas por qualquer sinal de atraso ou pressão de margem.

O posicionamento do mercado antes da divulgação do balanço também faz parte da história. As ações da Rocket Lab haviam disparado nas semanas anteriores a este relatório, à medida que os investidores precificavam a continuidade do momentum na fabricação de satélites e o otimismo em torno do progresso no desenvolvimento do Neutron. Quando uma ação já subiu com base em expectativas otimistas, mesmo um trimestre genuinamente forte pode gerar uma reação de 'vender a notícia' se qualquer dado isolado, neste caso a mudança no discurso sobre o cronograma do Neutron e a projeção de margem mais fraca, der aos otimistas um motivo para realizar lucros. Essa dinâmica é comum entre empresas de alto crescimento e ainda sem lucro, e vale a pena separá-la de qualquer julgamento sobre a saúde subjacente do negócio.

A avaliação de risco importa aqui tanto quanto a tese otimista. A Rocket Lab continua sendo uma empresa sem lucro, cuja avaliação depende fortemente da execução de metas ambiciosas, e o Neutron, em particular, carrega riscos técnicos e de cronograma reais, que já resultaram em um atraso no início do ano ligado a um problema no tanque do primeiro estágio. Um novo adiamento para 2027, ou qualquer contratempo adicional durante a integração e os testes na plataforma, eliminaria um catalisador importante de curto prazo com o qual os otimistas vinham contando para diversificar o negócio da Rocket Lab além de seu atual veículo de lançamento de pequeno porte. Os investidores também devem acompanhar o andamento da aquisição pendente da Iridium, já que um negócio desse tamanho traz seus próprios riscos de integração e financiamento, além do desafio operacional de colocar um novo foguete no mercado.

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Insight de Trading

Para traders ativos, o cenário sugere encarar a Rocket Lab como duas histórias sobrepostas, e não como uma só. O negócio principal de lançamentos e sistemas espaciais está executando bem, como evidenciam a receita recorde, a carteira de pedidos recorde e a margem bruta acima do esperado, e essa parte da história sustenta a ação em quedas ligadas puramente a sentimento de mercado. O programa Neutron é o catalisador mais binário. Como a diretoria não se comprometeu com uma nova data para o primeiro voo e admitiu abertamente que a janela de lançamento até o fim do ano está se estreitando, cada futura atualização sobre o Neutron, seja um novo cronograma, um teste estático de disparo ou a confirmação de um adiamento para 2027, tende a provocar reações desproporcionais no preço da ação, em qualquer direção. A projeção de margem mais fraca para o terceiro trimestre também merece atenção, já que uma diferença crescente entre o rápido crescimento da receita e a melhora mais lenta da rentabilidade é o tipo de sinal que pode limitar os múltiplos de avaliação, mesmo quando a receita continua superando as estimativas. Os traders devem acompanhar marcos concretos do Neutron, atualizações sobre o cronograma da transação com a Iridium e se a projeção de margem do próximo trimestre estabiliza ou continua a piorar, já que esses três fatores tendem a pesar mais na ação do preço no curto prazo do que a superação de receita já ocorrida.