A Meta Platforms divulgou na quarta-feira, 29 de julho, um resultado do segundo trimestre com dados mistos, e a reação do mercado foi bem clara: os investidores colocaram na balança um crescimento de receita sólido contra um lucro decepcionante e mais um aumento em um plano de gastos em inteligência artificial que já era gigantesco, e a ação caiu forte no after-hours. O papel, que já vinha perdendo do mercado como um todo neste ano, ampliou a queda enquanto os investidores digeriam um trimestre que mostra o quanto ficou caro construir infraestrutura de IA, mesmo para as maiores empresas de tecnologia do mundo.

À primeira vista, os números contavam uma história de força contínua no negócio principal de publicidade da Meta. A receita cresceu 28% em relação ao ano anterior, batendo um recorde de US$ 60,8 bilhões e superando com folga a previsão de Wall Street, de cerca de US$ 60,2 bilhões. As ferramentas de inteligência artificial continuam melhorando a segmentação de anúncios e o engajamento dos usuários no Facebook, no Instagram e em outras plataformas do grupo. A publicidade continua sendo a principal fonte de caixa da Meta, e esse motor funcionou bem no segundo trimestre.

O problema apareceu no lucro. O lucro por ação diluído veio em US$ 6,18, bem abaixo da faixa de US$ 7,19 a US$ 7,22 esperada pelos analistas, e menor do que os US$ 7,14 do mesmo período do ano anterior. Estima-se que o lucro líquido tenha caído em um ritmo de dois dígitos percentuais em relação ao ano anterior, para algo em torno de US$ 15,85 bilhões, já que os custos cresceram mais rápido do que a receita. Vários itens extraordinários também pesaram no resultado, incluindo uma despesa jurídica de US$ 2,4 bilhões e US$ 1,2 bilhão em custos relacionados a demissões, além de um salto de 67% nos gastos com pesquisa e desenvolvimento, refletindo o volume de recursos que a Meta está direcionando para a inteligência artificial.

Talvez ainda mais preocupante para os investidores do que o próprio trimestre tenha sido o que ele sinaliza para o futuro. A Meta elevou o piso da sua previsão de investimento em capital (capex) para 2026 para uma faixa de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões, ante uma faixa anterior de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões. O capex inclui investimentos de longo prazo, como data centers, servidores e equipamentos de rede. Esses gastos podem sustentar o crescimento futuro, mas também pressionam a rentabilidade e o fluxo de caixa livre no curto prazo, e os investidores estão cada vez mais impacientes para ver provas de que esse dinheiro está virando lucro consistente, e não apenas uma conta de infraestrutura cada vez maior.

O CEO Mark Zuckerberg defendeu a estratégia durante a teleconferência de resultados, argumentando que assistentes de inteligência artificial personalizados, capazes de realizar tarefas o dia inteiro, vão se tornar peça central dos futuros produtos e do modelo de negócios da Meta. É uma visão que Zuckerberg vem defendendo de forma consistente por vários trimestres, mas a paciência de Wall Street parece estar chegando ao limite. Os investidores querem cada vez mais provas de que o investimento em IA está se transformando em mais lucro, e não apenas em compromissos maiores no balanço, e a reação de quarta-feira sugere que essa exigência está cada vez mais difícil de cumprir.

A reação do preço das ações também precisa ser lida no contexto do ano da Meta até aqui. A ação já tinha caído 11% em 2026 antes deste resultado, enquanto o índice Nasdaq Composite subia cerca de 5% no mesmo período, o que significa que a Meta já estava perdendo do mercado bem antes desta divulgação. Essa diferença mostra como os investidores estão cada vez mais seletivos dentro do universo de IA: apenas um crescimento forte de receita já não é suficiente, e empresas que aumentam gastos sem mostrar um retorno claro no curto prazo estão sendo punidas com mais rigor do que em trimestres anteriores.

O resultado chega no meio de um teste mais amplo para o grupo de grandes empresas de tecnologia ligadas a IA, com concorrentes divulgando resultados na mesma semana e oferecendo, na prática, um placar em tempo real de como o mercado está premiando ou punindo grandes apostas em inteligência artificial. No caso da Meta, os próximos pontos de atenção serão saber se o crescimento da publicidade continua superando a inflação de custos, se a faixa de capex mais alta se mantém pelo resto do ano, e se a diretoria conseguirá apontar marcos concretos de monetização para a aposta nos assistentes de IA, em vez de ficar apenas no discurso.

Os resultados de outras grandes empresas de tecnologia que divulgaram números na mesma semana só reforçaram o contraste com a Meta. A Microsoft, que também apresentou resultados após o fechamento de quarta-feira, entregou um trimestre visto pelos investidores como prova clara de que o investimento em infraestrutura de IA já está se convertendo em crescimento de receita na nuvem, e suas ações subiram forte no after-hours mesmo com um capex que segue elevado. Uma gigante de IA sendo punida e outra sendo premiada na mesma sessão mostra como o mercado ficou seletivo: já não é o capex em si que decide a reação da ação, mas sim se esse gasto vem acompanhado de crescimento visível e monetizável dentro do mesmo período de resultados. O bom desempenho da publicidade da Meta não foi suficiente para compensar a percepção de que o retorno da IA ainda está mais distante do que em alguns concorrentes.

Do ponto de vista de gestão de risco, o principal sinal para uma reversão desse movimento de baixa pós-resultados seria uma recuperação rápida acima do preço anterior à divulgação, o que sugeriria que o mercado está dispostos a relevar o lucro abaixo do esperado e o aumento de gastos em razão da força da publicidade. Por outro lado, se a ação não recuperar esse nível nos próximos pregões, principalmente se outros grandes nomes de IA também enfraquecerem, isso reforçaria a visão de que o mercado está reprecificando todo o segmento de IA intensivo em capex, e não reagindo apenas à Meta de forma isolada.

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Trading Insight

Para quem opera, a lógica em torno da Meta deixou de ser uma história simples de crescimento e passou a ser uma história de disciplina de gastos. Enquanto o mercado continuar precificando as previsões de capex da Meta com mais peso do que o crescimento da receita, qualquer alta tende a enfrentar pressão vendedora de investidores migrando para nomes de IA com monetização mais clara no curto prazo. Uma estabilização da ação provavelmente vai exigir um discurso mais moderado sobre capex futuro ou uma explicação mais clara de como os assistentes de IA e as melhorias na segmentação de anúncios vão elevar as margens nos próximos trimestres. Até lá, é esperar volatilidade elevada em cada divulgação de resultados e em qualquer nova sinalização sobre os planos de gastos para 2026, com risco de queda inclinado para uma compressão adicional dos múltiplos caso concorrentes também elevem gastos sem entregar crescimento de lucro correspondente. O posicionamento entre ativos também importa aqui: como a ação já perde de forma expressiva do Nasdaq no ano, qualquer alívio tende a atrair realização de lucro de investidores que entraram na Meta como uma aposta de valor dentro do setor de IA e voltaram a se decepcionar.